sábado, 11 de julho de 2009

Só pra não passar batido

Teu amor me cicatriza,
bela!

sexta-feira, 10 de julho de 2009

O exercício de tentar parecer quem a gente é

É que eu ouvi,
sempre certo,
meu pai dizer
que nessa vida,
vindo de onde for,
fortalece a gente
juntar tudo que tem,
sem dar bola pra tempestade,
enquanto chega a idade
e se espera o dia que vem;
fazer samba em caixa de fósforos
e incendiar o coração de coragem.
Cores agem
quando o passo é pra frente.

Aqui do front,
em peleja com as circunstâncias,
minha substância é incerta.
Pouca certeza de tudo,
tudo em questão.
Em que pé estão meus anseios?
Pergunto eu a mim mesmo,
a esmo, à deriva.
Às vezes a gente se esquiva,
é normal.

Só sei que meu velho era homem sabido.
Largou pra mim a saudade
e umas palavras no ouvido
que me valem a vida.

Da vista lá do alto,
tô alcançando o horizonte
com o punho cerrado
para que não me escapem os clichês que eu guardo aos punhados.

É que eu ouvi,
ou vi,
não sei direito mais.
Acho que o velho me entende.

segunda-feira, 4 de maio de 2009

Qualé dessa parada?

Preciso voltar a escrever, ainda mais agora.

"Ainda mais agora" significa que estou no Grupo de Produção Literária do professor Erly. Então, Erly, se você, por acaso, cair por aqui, não pense que eu sou um adolescente de 15 anos transcrevendo músicas e poemas. Haha!

É só porque existe gente que já disse o que eu queria dizer. É por isso que o blog se chama "as frases feitas", pra que eu não tenha o trabalho de plagiar, só dar um ctrl+c ctrl+v mesmo.

terça-feira, 3 de fevereiro de 2009

A conta da saudade
Quem é que paga?
Já que estamos brigados de nada;
Já que estamos fincados em dor.

quarta-feira, 31 de dezembro de 2008

No ano passado...

Já repararam como é bom dizer "o ano passado"? É como quem já tivesse atravessado um rio, deixando tudo na outra margem...Tudo sim, tudo mesmo! Porque, embora nesse "tudo" se incluam algumas ilusões, a alma está leve, livre, numa extraodinária sensação de alívio, como só se poderiam sentir as almas desencarnadas. Mas no ano passado, como eu ia dizendo, ou mais precisamente, no último dia do ano passado deparei com um despacho da Associeted Press em que, depois de anunciado como se comemoraria nos diversos países da Europa a chegada do Ano Novo, informava-se o seguinte, que bem merece um parágrafo à parte:

"Na Itália, quando soarem os sinos à meia-noite, todo mundo atirará pelas janelas as panelas velhas e os vasos rachados".

Ótimo! O meu ímpeto, modesto mas sincero, foi atirar-me eu próprio pela janela, tendo apenas no bolso, à guisa de explicação para as autoridades, um recorte do referido despacho. Mas seria levar muito longe uma simples metáfora, aliás praticamente irrealizável, porque resido num andar térreo. E, por outro lado, metáforas a gente não faz para a Polícia, que só quer saber de coisas concretas. Metáforas são para aproveitar em versos...

Atirei-me, pois, metaforicamente, pela janela do tricentésimo-sexagésimo-quinto andar do ano passado.Morri? Não. Ressuscitei. Que isto da passagem de um ano para outro é um corriqueiro fenômeno de morte e ressurreição - morte do ano velho e sua ressurreição como ano novo, morte da nossa vida velha para uma vida nova. Por essas e por outras é que, nestas calçadas claras do ano bom:

Rechinam teus sapatos rua em fora.
Tão leve estou que já nem sombra tenho
E há tantos anos de tão longe venho
Que nem me lembro de mais nada agora!

Tinha um surrão todo de penas cheio
Um peso enorme para carregar!
Porém as penas, quando o vento veio,
Penas que eram... esvoaçaram no ar...

Todo de Deus me iluminei então,
Que os Doutores Sutis se escandalizem:
"Como é possível sem doutrinação?!

"Mas entendem-me o Céu e as criancinhas.
E ao ver-me assim, num poste as andorinhas:
"Olha! É o Idiota desta Aldeia!" dizem...

[Mario Quintana: Porta Giratória. São Paulo, Ed Globo, 3 edição, 1997]

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

Clichê de fim de ano

A gente vai aprendendo a não cultivar tristeza. A vida é continha de somar no papel, sem borracha pra desfazer. Tudo é soma. Dá para carregar mágoa e alegria no mesmo peito, é isso que eu aprendi. Mas minha mágoa não é de revolta, é só saudade, mesmo.
Não tem muito o que dizer. Se em um dia a gente se perde, no outro a gente se encontra nos olhos de uma mulher. Sem lamentar. É vida que se gasta enquanto isso.
Que o próximo ano seja bom para mim e para você!

---

Eh, vida voa
Vai no tempo, vai
Ai, mas que saudade
Mas eu sei que lá no céu o velho tem vaidade
E orgulho de seu filho ser igual seu pai
Pois me beijaram a boca e me tornei poeta
Mas tão habituado com o adverso
Eu temo se um dia me machuca o verso
E o meu medo maior é o espelho se quebrar

[Espelho - João Nogueira]

domingo, 14 de dezembro de 2008

Nada não

De um tempo pra cá, não sai nada dos meus dedos. Não que eu seja um escritor que trabalha a todo vapor, mas está difícil mesmo.

"Às vezes não entendo minha própria letra
Minha própria caneta me trai"

quarta-feira, 26 de novembro de 2008

Lixo

Por ser cão vadio,
revira lixo tão às pressas
que no fim das contas
só lhe resta a solidão
onde procurava por amor
que algum descuidado
descartou.
Acostumou-se às sobras,
vadio cão.
Tão solitário,
que,
em sua companhia,
no fim das contas,
restou a solidão.

domingo, 21 de setembro de 2008

Para mamãe

Sou silencioso, mãe. Eu evito dizer as coisas não por omissão ou por falta de interesse, evito porque eu digo com o olhar, com o pensamento, e você me entende. Você olha para mim e me vê como eu sou. Não tenho mentiras ou verdades para você, porque você me tem decifrado. É no seu olhar acalentador que encontro meu conforto, seu colo é o porto seguro onde atraco com segurança meus medos e fracassos, e você me protege, você me esconde, suas garras de fera afastam de mim todo o mal porque eu sou sua cria, eu sou do seu ventre e nada me derrota sob seu amparo. Você é bela, ainda mais bela que no meu poema da 3ª série, porque a ótica de uma criança é de fácil deslumbramento, mas hoje eu sou adulto e você ainda me encanta. Mais que antes, você é a mulher mais bela que o mundo já viu, sua beleza vem do seu corpo físico, sim, mas ainda mais de sua alma que, cheia de cicatrizes, se embeleza e se perfuma a cada dia porque o mundo necessita da sua beleza, do brilho que vem da sua aurora. Você é a maior fortaleza que eu já conheci porque suporta o peso de uma constelação e, a cada vez que me diz estar cansada da dor, eu não acredito em você, porque a dor não é uma inimiga a sua altura, você é invencível. Somos feito quebra-cabeça, eu e você, um quebra-cabeça de duas peças que se encaixam perfeitamente. Somos antigos, viemos de outros tempos, nosso amor é medieval, moderno, contemporâneo, pós-moderno. Nascemos fadados um ao outro e é inevitável nossa conexão. Eu não te amo há 22 anos, eu te amo desde tempos imemoriais, eu te amo com o abismo do meu silêncio e, para sentir isso, você não precisa me ouvir dizer, basta olhar a verdade que brota do meu olhar.

O seu aniversário é a celebração da coragem, da força e do amor.

terça-feira, 16 de setembro de 2008

Eu aí.

No seu sorriso, Narciso.
Me vejo refletido,
Hermeticamente enquadrado
Entre o vivo vermelho
De seus lábios.
E aí me atiro
Em busca de mim mesmo,
Procurando por algo
De cá,
Aí.
Onde me vejo até os ossos
E por isso mais poeticamente suicida
Tão fiel seu retrato de mim
Quando estica os beiços
E me mostra
Que não resisto
E me afogo

No seu sorriso, Ícaro.
A fogo
Minhas asas se dissolvem
Quanto mais perto estou
Da quentura branca
Do seu perverso brilho
Que me faz voar,
Voar, até cair,
Até que precipite
Feito tempestade,
Às pressas,
Com medo de não dar tempo.
E nunca dá.
Esc
or
r
o
De gota em gota,
Por entre os dedos
Das suas mãos

No seu sorriso, kamikaze.
Sinto uma vontade incontrolável
De me atirar
Antes que me pulverize
A verdade dos seus dentes.
É precaução,
Não imprudência.
Você não vai me abater em pleno vôo.
Antes,
Me afogo,
Me derreto,
Me atiro,
Até que reste
Somente
Minha vitória fingida,
Minha glória de mentira,
Meu reflexo dissecado,
Mais parecido comigo mesmo que eu.